quarta-feira, 22 de maio de 2013

CENA DOZE




O CÁRCERE

Deixem-me ver como inicio estas linhas enquanto ouço uma barata roer o pé de madeira do guardarroupa velho e Selminha me dizendo um milhão de vezes que já devíamos ter comprado um guardarroupa novo e que eu devo pensar em minha aposentadoria e na minha saúde porque meus cabelos começam a cair - GRANDES TUFOS negros sobre o lençol da cama e no chão do quarto e do banheiro também, caem mais que os pelos brancos do Horácio - E tudo isso enquanto penso em como iniciar mas este capítulo e ela se empeteca toda para ir trabalhar e é assim todas as manhãs e os mamoeiros do quintal estão dando bons frutos eu vejo daqui da minha janela gradeada nesta manhã cinzenta e bela de uma terça-feira de maio de 2013 e a minha vida até aqui ela tem sido razoável comigo, não tenho o que reclamar, cumpro meu contrato, só preciso pensar na minha aposentadoria e na minha saúde, Selminha está certa quanto a isso, mas talvez eu não chegue a me aposentar, quero dizer, vestir um pijama listrado e sentar ao seu lado para ver de nossa varanda o enterro do sol e falarmos somente o necessário um para o outro e também um cachorro novo aos nosso pés que eu batizarei de Deus e tentarei sobreviver a mais este cão - Ou devo mesmo parar com as minhas misturas pesadas de Duoloxetina, cervejas e os meus coquetéis de HIV  – E todos nós nascemos para morrer e vamos aprendendo que tudo é nada TUDO É NADA mas vale o esforço de nos mantermos vivos e mover nossas pedras neste tabuleiro líquido e deixarmos de sermos tão covardes – E o glacê das manhãs com os  teus olhos marejados cravejados de estrelas líquidas, lábios como sangue de um sacrifício à meia noite, ombros que parecem o cansaço dos elefantes encarnados, sucumbimos ao peso incrível de toda a manada do tempo, teus seios quando você esconde eles com renda preta como se eu quisesse passar manteiga neles, o glacê dos mamilos frios de todas as manhãs – E devemos adiar o trabalho e trepar e trepar e trepar – E Selminha me olhando agora com os olhos bastante arregalados porque neste dia ela pegará o ônibus das oito e chegará bastante atrasada por conta do poema que acabo de reinventar – Ah, minha mulherzinha volátil e fogosa como a lua de clitóris dourado, digo-lhe isto enquanto trepamos e só depois ela se arruma e se vai - E agora me dou conta que devo seguir com os camaradas nos arrastando até a escola Pedro II que fica em frente à Praça da Polícia porque Ecumênicus teve a brilhante idéia de divulgarmos a nossa revista lá e descolar alguns trocados para o café da manhã E JÁ É porque minha barriga e a dos camaradas roncam de fome - E AQUI INICIA-SE O EPISÓDIO FANTÁSTICO E INUSITADO DE NOSSA PRISÃO QUE VOU LHES NARRAR PORMENORIZADAMENTE SEM DIVAGAÇÕES, PROMETO ( e não havia a necessidade do caps lock, havia?>
                                                                                                O plano    
- o plano era mais ou menos o seguinte, era pedirmos uma colaboração dos alunos e professores para alugarmos um carro de som para o evento da revista, e o dinheiro arrecadado com o golpe a gente separaria uma parte para o nosso desjejum e para o almoço em grande estilo na Marechal E RÁ - Estávamos destruídos demais e voltar para casa naquele estado era realmente foda, por isso decidimos entrar naquele colégio, mas o porteiro não entende muito bem que precisamos entrar naquele lugar e por isso nos barra a entrada – E decidimos então partir para uma outra investida  dobrando a esquina da Sete subindo agora a Getúlio rumo ao Colégio Brasileiro com o Boca tocando o Choro da Bia e os cinco cantando aquela canção como doidos varridos porque as notas eram boas demais e as pessoas que nos vêem passando bem embaixo dos semáforos vermelhos comentam, estes caras muito doidões estão viajando nas bolas, eles não sabem quando parar? – E vejo o entusiasmo do Boca com o Choro da Bia porque ele está entusiasmado demais, havíamos decorado a letra e também cantávamos ébrios acompanhando os acordes - <e hoje não vou mesmo trabalhar por conta disso, ficarei aqui no silencio do meu quarto teclando sem parar, mergulhado que estou nessas minhas reminiscências ínfimas e loucas tentando encontrar uma saída para não lhes decepcionar> E não podemos esquecer a caixa com a nossa revista dentro que carregávamos conosco e que revezávamos sobre nossas cabeças – E foi mais fácil a nossa entrada nesta outra escola porque não havia nenhum sentinela que nos impedissem de entrar e nos misturamos alegres aos alunos e adentramos àquele prédio inacabado chamado escola e sentamos na pracinha de concreto que havia no centro do pátio – Ah, não quero ser detalhista demais - E todos aqueles adolescentes com seus hormônios aflorando e por certo que haviam algumas alunas encantadoras que olhavam inocentes para nós mas especificamente para o Boca que era cabeludo e usava uma camisa preta dos Ramones e tocava violão e o Boca era mesmo uma figura tresloucada e original antes dele cortar os seus cabelos e desistir da música para se dedicar exclusivamente aos seus Bommerangues, mas eu entendo o dilema do Boca e sei que ele precisa viver e não o culpo por isto, por isso lembro-me dele com carinho naquele dia travadão sentado na esquina do Prédio Antônio Simões me chamando para mostrar os primeiros acordes de Equivalências de Loucura na Esquina da Getúlio Vargas, <E você tá de sacanagem comigo que vai musicar esta joça, vai Boca?> E eu me liguei pra valer naquele seu estilo piradão de compor suas músicas e saímos os dois cantando pela noite afora aquela canção e ele sacou o seu baseadão e ordenou algumas cifras perdidas, e isso tudo, é claro, bem em frente à Igreja São Sebastião com o vento soprando seus cabelos sujos, de qualquer modo, ah, putz, o ponto central dessa questão é que eu e ele mais tarde fuçaremos bem doidões a noite e aí não conseguirei mais me lembrar de nada, mas alguns minutos e a gente vai estar bem doidões e insuportáveis e nada sociais, ah deixa eu pensar com calma como tudo acaba, nada acaba, segue, sempre segue e eu prometi, nada de divagações mas já estou divagando de novo – e antes de ir mais longe do que o necessário eu e Ecumênicus procuramos o diretor da escola só que não havia diretor algum e também procuramos pelo pedagogo ou algum outro responsável e sei lá mas tudo estava entregue às baratas – alunos iam e vinham numa tremenda algazarra e é desse modo que tomamos o leme do barco e adentrarmos as salas que ficavam na parte superior do prédio e portanto subimos alguns lances de escadas de cimento deste prédio inacabado e logo na primeira sala que entramos não havia professor e os alunos faziam a maior algazarra e foi então que Ecumênicus bateu no quadro negro chamando a atenção de todos eles e fez-se um momento de silencio e ele começou a explicar tudo enquanto eu distribuía alguns exemplares da revista e o Betânia declamava um de seus poemas e o Boca tocava seu violão e o Garoto recolhia as moedinhas em um saco e todos colaboravam com que podiam e dali saímos com um saquinho chacoalhando moedas - O plano dando muito certo afinal e portanto fomos á outra sala que por sinal também não havia professor e usamos da mesma estratégia ornado de apelo poético e Ecumênicus sempre foi muito bom no trato das palavras fazendo chover moedinhas e algumas cédulas também, o suficiente para o nosso desjejum - E não satisfeitos fomos de sala em sala  - Na quinta ou sexta sala, se bem me lembro, encontramos um único professor - ou melhor - uma professora que ouviu atentamente, e por isso ela resolve colaborar com uma quantia mais considerável e penso que já tínhamos o bastante para o nosso almoço e mediante a isso faço um apelo que deixemos o prédio – mas em um ato impensável, o Boca aproxima-se daquele anjo bom  e tasca-lhe em seu rosto um beijo de agradecimento e a dona apenas sorri e finalmente deixamos aquela sala e partimos para outra e o erro foi achar que ainda podíamos arrecadar mais grana, e portanto, entramos na última sala do corredor do terceiro andar da escola e decidimos que era a última, depois, cairíamos fora - No entanto, no meio do discurso de Ecumênicus, surge à porta, uma professora e a coisa agora é mais ou menos como uma peça achincalhada de Ibsen:
PROFESSORA: <Mas que algazarra é essa? Vou chamar o diretor!>
  - e nesse instante os alunos começam a vaiar a professora e embora eu esteja preocupado, Ecumênicus demonstra bastante calma e prossegue falando o tempo todo suficiente para que ela retorne escoltada pelo diretor e também do pedagogo – uma bichinha da Rua 36 do meu bairro e ele diz com as mãos nos quadris - Aí, Mário, eu não acredito que você esteja envolvido nessa baderna – É o que a bichinha diz e agora é a vez do diretor falar:
 DIRETOR: <Quem autorizou a entrada de vocês na minha escola?>
                     Quem autorizou a entrada de vocês na minha escola?
                  
    - essa frase deslocada no espaço merece bem sua atenção porque foi isso exatamente isso mesmo o que ele nos disse na chincha se achando dono da escola só que a escola é publica como rebate Ecumênicus na sua santa calma e o lembra que quando ali chegamos não havia direção e eles então começariam uma discussão calorosa  com um coro de alunos nos apoiando e vaiando o diretor e foi aí que eu vi a coisa preta de verdade  porque a autoridade de bosta perdida daquele diretor adentra furioso à sala e tenta arrancar Ecumênicus à força, mas ele resiste e os alunos gritam eufóricos enquanto eu tento acalmar a fúria do diretor que havia mesmo perdido sua liderança e agora está moralmente arrasado e o grito exasperado de Ecumênicus ecoa no pátio da escola e ele discursa pra valer com suas veias-tendões arrebentando do pescoço e os estudantes todos ali vibrando sem entender muito bem o discurso inflamado de Ecumênicus e eu não posso convencê-lo de parar – não tenho esse direito – mas vejo que o Betânia e o Garoto desconfiam do pior e o Boca nem tanto porque ele se diverte com a cena e tenta levar embora uma das alunas com ele e quanto a mim, permaneço hipnotizado ouvindo Ecumênicus  e continuo a gostar dele e de sua camisa Hering branca -  ele sempre usa uma camisa branca da marca Hering e eu nunca o vi usando uma camisa de outra marca que Beatriz lhe dera em seu aniversário ou que ele tenha comprado com seu mísero salário de professor – e isso, é claro, não tem importância alguma na altura dos acontecimentos e talvez você aproveite este momento para achar que eu esteja enchendo lingüiça ou que eu esteja blefando ou que eu esteja usurpando seu precioso tempo aí sentado agora lendo estes treze mil cento e cinco caracteres que registro agora no rodapé do meu computador de terceira mão – mas devo dizer que este é um exercício legal  & eu tentando acalmar Ecumênicus porque nesse momento o diretor ordena que tranque os portões e acione a polícia que não demora muito a chegar e somos todos ouvidos e depois levados ao 12º DP na Praça Quatorze – e o que veremos a seguir  é só o começo da primeira parte da carceragem...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

CENA ONZE




O LADO NEGRO DA LUA

O AMANHECER DESSE DIA TEM UM TOM CINZENTO-ÁRIDO ENQUANTO AVANÇAMOS PELAS RUAS DO MERCADO E DESEMBOCAMOS NA RUA DAS PUTAS CERCADA DE BARES AINDA COM SUAS PERNAS ABERTAS DE ONDE EXALA URINA E O CHEIRO INCONFUNDÍVEL DE SUOR DE PUTAS E OUTRAS VISÕES SANTIFICADAS E OS TRAFICANTES VENDENDO BARATOS LEGAIS NAS ESQUINAS DA FREI JOSÉ PORQUE AINDA SE PODIA COMPRAR UM BARATO LEGAL QUE FIZESSE UM EFEITO LEGAL NA TUA MENTE PORQUE NÃO HAVIA TANTA PORCARIA MISTURADA ASSIM E PODÍAMOS CONFIAR NOS NOSSOS HOMENS SÓ QUE ESTÁVAMOS DUROS DE VERDADE E POR ISSO SÓ PASSAMOS COMO UMA PROCISSÃO TRISTE E CABISBAIXA OLHANDO COM UMA VONTADE MEDONHA DE FICAR POR ALI MESMO JOGADOS E TODO TEMPO TENHO A IMPRESSÃO DE ESTAR VIVENDO UM SONHO ENTORPECIDO E BOM - UMA ESPÉCIE DE MENTIRA DURADOURA DE VAZIO TRANSCENDENTAL - E o Boca nos dizendo agora que estamos na frente da Igreja dos Remédios:
 < a gente só precisa plugar esse violão e tocar dentro da igreja, não é isso, Mário?>
CARCAMANO: < é ruim que vou entrar numa Igreja, entrar em uma igreja é de imenso mau gosto pra mim, eu sou Cileno, professor de Dionísio, por isso, estou fora!  – É o que nos diz covardemente o Carcamano virando as suas costelas e tratando de cair fora daquele ardil o quanto antes naquele amanhecer com a corja parada frente á Igreja dos Remédios de portas abertas e aí então resolvemos entrar todos naquela Igreja e ela estava imensamente vazia e Ecumênicus ajoelhou-se à entrada e fez o sinal da cruz e cada um de nós sentamos e ficamos olhando para o altar sem saber exatamente o que faríamos ali sentados olhando um para a cara do outro e o Boca sussurrando em meu ouvido:
 <esse silencio inventado me incomoda, saca? viemos aqui para plugar este violão e tocar nesta igreja, não foi isso que viemos fazer aqui, professor, não foi isso? Por que se não for isso posso ainda alcançar o Carcamano e voltar para minha casa e para os meus Bommerangues que é mais futuro e podem me render algum sustento...
< moedas são como chocolates para os ratos.> nos diz o Garoto sentado na outra ponta e o Betânia concorda com ele abrindo um sorriso côncavo naquele seu rosto assimétrico e aqueles seus olhos esbugalhados como os de um Charles Manson e,
<< tá massa, mas ô, o que vamos fazer exatamente aqui sentados? Rezar? Nivelar nossa mente? Ah, vão para a puta que os pariu – E ele caminha até o altar como uma besta enfurecida como se o piso daquela nave fosse propriedade dele e eu estou quase certo de que foi o Boca mesmo que arrancou aquele microfone do pedestal e o escondeu em sua mochila – QUE CENA, PULO DE ALEGRIA – Só que tivemos que dar o fora dali imediatamente para não sermos apanhados e partimos para algum outro lugar e continuamos caminhando pelo centro da cidade sem rumos como uma releitura da geração perdida de vagabundos submersos em oceanidades de uma névoa alcóolica impenetrável de um alvorecer amargodoce amazônida e UI, QUASE CONSIGO - As pessoas começando a passar a caminho do trabalho muito sérias que elas são essa gente daqui e nós ali sentados nos bancos de concreto ao pé do Relógio da Matriz ouvindo as portas de ferro das lojas sírias de tecidos levantarem-se e as crianças cheiradores de cola sendo varridas das calçadas e marquises como animaiszinhos peçonhentos e eu tenho quase a certeza absoluta que os ponteiros desse simulacro escroto e pobre de relógio estão parados como todo o organismo dessa cidade parasitória está parada e nada funciona mesmo nesse simulacro de cidade e de pessoas e o que faremos mesmo aqui sentados eu me pergunto agora e Ecumênicus também deve estar pensando em uma solução nova porque ele sempre estuda uma solução nova com seu caráter e sabedoria de monge e passam alguns carros já, só que em certo momento também, EM UM GRANDE RESPLENDOR DE NIRVANA vemos atravessar a rua uma mulher gorda e completamente nua caminhando e xingando seus demônios depositados dentro de sua cabeça com seu cabelo todo negro e escorrido e cheirando mal e aqui sob os céus imponderáveis dos trópicos os loucos caminham livres e nus  e meus olhos agora tremem, morrer é enlouquecer, o que mais se pode fazer por aqui – Vivo neste sonho vazio e espetacular e em certos momentos desejamos desesperadamente voltar redimidos  para o ventre morno de nossas mães e ficarmos lá encolhidinhos e nunca mais sairmos de lá  de tão tirânico e injusto e desajustado e podre que é o mundo e as pessoas aqui fora no frio com seus corações gelados – E eu juro que conheço esta louca que me atravessa agora as retinas e o que eu vou contar sobre ela é bem sinistro por isso não sei se devo mesmo contar mais algo me impele a contar e foi portanto em uma dessas noites violentas regadas a cigarros e conhaques logo que deixei oscilante a Tamandaré e caminhei para a parada de ônibus porque minhas pernas não agüentariam me levar de volta para casa e mesmo que quisesse eu não poderia e minha mente estava embaçada demais então eu sentei e esperei e então eu vi a louca sentada e nua num dos bancos de concreto sob a guarita e havia um cara ali bolinando seus enormes seios e houve um momento em que ele conseguiu fazê-la virar-se de frente para ele e eles começaram a transar sob as minhas vistas e a de um pastor que gritava palavras horríveis sobre o céu e o inferno que faria uma criança se encolher de tanto medo e eu então acendi o meu último cigarro e é tudo tão escroto e sombrio e doente quando não nos resta mais nada, apenas um cigarro de marca vagabunda e todo machucado no seu bolso E QUE DOIDERA ESSA, CARA, aqueles dois ali transando a olhos nus como dois cães hormonalmente livres e um único cara ali além de mim e do pastor para para apreciar a cena e se masturbar alucinadamente e a louca então avança sobre seu amante e agora ela senta sobre ele e começa a subir e descer e subir e descer e ela parece gostar muito porque ela gargalha como uma entidade exu as quatro daquela manhã sob a lua negra e envergonhada e se beijam loucamente  e acho que preciso voltar para as gônadas que deixei suspensas no teto do Delirium Drinks que é meu inferno particular da Tamandaré e prosseguir com minhas dosagens  de conhaque negro e foi Ecumênicus mesmo com seu chapéu estranho de panamenho que me explicou que aquilo eram as gônadas suspensas no céu do Delirium e ele passou a noite toda viajando nas gônadas sem ligar para as putas que dançavam nuas no palco expondo heroicamente suas cesarianas e tudo foi depois de uma tarde relativamente calma e alegre que passamos na companhia de Salomé no Bar Holandas – neste dia ele estava com aquele seu chapéu engraçado de Panamenho e todo feliz porque Salomé massageou-lhe demoradamente o pênis com os pés dela antes de partirmos para o quarto no motel ao lado e foi uma tarde razoavelmente boa, sim, porque curtimos à beça com Salomé e ela nos contou sua vida dura e nos cobrou um preço bem razoável e ainda tenho tanta coisa para falar de Ecumênicus que não caberia em meu papiro secreto e sigo bebendo doces goladas de minha cerveja <e será que alguém vem ao meu Sarau?> e eu nunca mais vou esquecer desta cena da mocinha e do carinha dela trepando livres e sem aporrinhações e se Ecumênicus por alguma razão estivesse ali ao meu lado ele me diria com sua serenidade patológica de monge, que lindo, cara! e isso ele me diria mesmo porque eu o conheço bem, e você deve estar louco para saber do final desta cena não é mesmo, já não agüenta mais, pois lhe conto como tudo acaba – Ao término da copulação, o carinha dela levanta-se e caminha trôpego achando que estaria tudo terminado, mas a louca o segue pela rua principal chorando querendo mais e o seu choro é horrível que me dói o peito, e um certo momento na curva, ele a ameaça com uma pedra e a louca chora mais alta ainda como um bebê gigante e fica ali parada na esquina sob a lua negra vendo o seu amante partir subindo a avenida principal, e a vontade que tive era me aproximar da louca e colocar um dos meus braços sobre o seu ombro e dizer-lhe qualquer coisa paternal para confortar-lhe a dor, quem sabe, mas exatamente o quê eu diria àquela louca, então eu chequei que ainda haviam alguns trocados no fundo dos bolsos e deixei a louca lá sentada na esquina e voltei para o Delirum para as gônadas e para as putas...           

sábado, 18 de maio de 2013

CENA DEZ





NA REDE COM O ZECA



8 de setembro de 2012

ZECA: <E aí, mano, vamos beber a loucura do tempo?>

MÁRIO < E aí rapaz! Vamos beber onde?>

ZECA <Em qualquer lugar. O mundo é tão grande.>

MÁRIO: <Mundo Mundo, Vasto Mundo, se eu não me chamasse Raimundo...>

ZECA: <Cara, tenho trabalhos prontos pra te mostrar.>

MÁRIO:  <Bacana. Devo ir ao centro esta semana. Me diz quando podemos nos encontrar.>

ZECA: <93667911. Copiou?>

MÁRIO: <Copiado. Te ligo!>

ZECA: <Valeu!>

MÁRIO: <Deixa só te dizer, o Chaplin está organizando um evento de arte que vai rolar aí no Santo Antônio e estou pensando em fazer uma performance, tipo, um stripper enquanto você toca uma flautinha fantasiado de fauno, aí depois, nu, eu declamo uma poesia bem ácida, que tal? Faz tempo que a gente não joga meleca no ventilador, ou faz chover no piquenique de alguém, como aquele dia lá no Teatro Chaminé, lembras?>

ZECA: <Tenho que beber muito de cara, ando medroso, mas isso é um belo despertar espiritual...kkkkkkkkkkkkkkkkk>

MÁRIO:  <Está só um pouco destreinado, tudo que precisas fazer e tocar uma flauta e deixar o resto comigo. É tudo improviso, e depois a performance vai cair bem com a proposta do tema da festa que é Rock arte e putaria. Olha, houve um evento no Rio Negro no último sábado chamado Primavera Árabe e me convidaram pra declamar uns poemas, então eu fui fantasiado de árabe sem nada por baixo e declamei um poema sobre o genocídio na Síria e fiquei nu, só que ninguém esperava – essa gente não espera nada, mas a performance segundo me disseram foi espetacular, acho que estou começando a ficar bom em poemas de improviso. Criando, saca, o meu próprio teatro dos horrores; o teatro do caos, do absurdo mesmo.>

ZECA: <Ando muito medroso, mas bêbado, quem sabe a gente naum pira.>

MÁRIO: <Tomaremos umas antes na tua casa mesmo que é pra relaxar. Ouvir uma boa música pra inspirar, depois a gente parte pra lá. Vai ser na Ponta do Vento. Deixa eu ver aqui a data. Vai ser no sábado, dia 15 de setembro.>

ZECA: <Semana que vem vamo lá!>

MÁRIO: <Fechado.>

22 de setembro de 2012

ZECA: <Vamos beber?>

MÁRIO: <Cara, enchi a cara ontem. Mais tarde vou a um aniversário onde vai rolar muita cerveja e eu preciso me recuperar da ressaca e partir pra outra, tu precisas vir aqui em casa, você.>

24 de setembro de 2012

ZECA: <E MEU LIVRO? JA TÁ ANDANDO ?

MÁRIO: <ainda estou pescando os textos. esta semana, finalizo.>

25 de setembro de 2012

MÁRIO: <MANDA UMA FOTO TUA PRA BOTAR NA CONTRACAPA. MANDA PRO E-MAIL DA NOSSA REVISTA.>

MÁRIO OUTRA VEZ: < Já consegui a tua foto. Já tenho os poemas. Vou trabalhar no seu livrinho este fim de semana. Um forte abraço, mano!>

13 de fevereiro

ZECA: <E AI MANO? TEM UM SARAU QUARTA FEIRA QUE VEM AQUI NA FEIRA DO SANTO ANTÔNIO. VEM PRA GENTE GRITAR POESIA E ENCHER A NOSSA ALMA DE CERVEJA.>

MÁRIO: <Já é! Estarei lá. Me diz só o horário. Irei com certeza.>

ZECA: <VAI O CONVITE PRO TEU MEU MURAL, COMPARTILHA.>

MÁRIO: <certo estarei lá
              me aguarda!
             estou com um texto novo
             posso fazer uma leitura encenada dele.>

ZECA: <VAI SER MUITO DO CARALHO, VÉIO. CHEGA TÁ COÇANDO.>

MÁRIO: <CHAMA-SE: FELICIDADE É VER SUA MÃE MORRENDO COM UM CÂNCER NO CU. UM TROÇO BEM AMARGO E POLÊMICO. MAS, ACHO QUE ROLA, NÃO ROLA?>

ZECA: < TEM POEMAS NOVOS AI NO MURAL. TÔ ESCREVENDO RECEITUÁRIO.>

MÁRIO: <CERTO! PEGAREI ALGUNS PARA BOTAR NA  REVISTA.>

ZECA: <BLZ! TÁ DO CARALHO. ESTOU SENDO VIGIADO PELA LÚCIA TINOCO.>

MÁRIO: <E quem é essa praga?>

ZECA:  <UMA AMIGA QUE SE DISPONIBILIZOU A ME COLOCAR NOS EIXOS....KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK>


MÁRIO: <mas não se põe poetas nos eixos, que porra é essa? ainda mais você.>

ZECA: <ELA ANDA ÁVIDA DESSE DESEJO.>

14 de abril

ZECA: <E AI SUMIDO? VAMOS BEBER?>

MÁRIO: <PREPARANDO A NONA EDIÇÃO DA REVISTA.
PEGUEI UNS POEMAS SEUS NO GUETO para serem publicados.>

ZECA: TU NÃO DESISTE. É IMPRESSIONANTE O FÔLEGO DESSA REVISTA. QUANDO VAI TÁ PRONTA?>

MÁRIO: <penso que no final de maio. ou até antes, quem sabe.>

24 de abril

ZECA: <diga lá!!

30 de abril

ZECA: <fala, Mário.>

MÁRIO: <e aí cabra? quando tomaremos umas?>

ZECA: <eu já tô abrindo 1 latinha. OUVIU O TRACCC?

MÁRIO: <ouvi e isso machuca muito, mas ficarei por aqui por casa tomando umas também, só que mais tarde quem sabe.... esse  traaacc que é foda.>

ZECA: <TÁ LENDO MINHAS MALANDRAGENS NOVAS?

MÁRIO: <coisas novas?>

ZECA:  <RELEMBRANDO MINHAS PUTARIAS DE MENINO.>

MÁRIO: <certo.>

ZECA: <SE COLAR COMPILO E PUBLICO.>

MÁRIO: <farei uma visitinha no teu blog.>

ZECA: <TÔ POSTANDO AQUI MESMO NO FACE.>

MÁRIO DEPOIS DE UNS MINUTOS: <cara, estou lendo a cuspideira. li.
                 hilariante!
                 tem outras nessa linha?>
ZECA: <TEM VÁRIAS>

MÁRIO: <posso selecionar umas cinco assim e publicar na número nove. seria interessante o leitor conhecer tuas resenhas.>

ZECA: < TÔ CHAMANDO DE OBSTINADO.>

MÁRIO: <já copiei a cuspideira. tem outra que me recomende? pegaremos umas três assim curtinhas e publicaremos na número nove. peguei a procissão e a primeira namorada.>

2 de maio

MÁRIO: <Me ocorreu outro dia um título perfeito para esse seu novo trabalho: Crônicas do filho da Carvoeira. Que acha? Levando em consideração um dos títulos que você usou em uma das crônicas...>

13 de maio

MÁRIO: <e aí Zeca?>

ZECA: <fala mano!>

MÁRIO: <como vão as crônicas? selecionei umas cinco para serem publicadas. até sugeri um título, CRÔNICAS DO FILHO DA CARVOEIRA, pois que são bem autênticas.>

Hoje

ZECA: <TEM A GALINHADA AÍ?>

MÁRIO: <já estou lendo.>


ZECA: <JÁ ESTOU BEBENDO BRAHMA.>

MÁRIO: <ontem enchi a cara aqui em casa na companhia do Victor Hugo que veio me visitar e me mostrar um texto novo.
e tuas crônicas estão maravilhosas, cara,
junte-as e publique em um livro.>

ZECA: <DEIXA ROLAR>

MÁRIO: <continue escrevendo. quero ver é o circo pegar fogo e todos os palhaços morrerem queimados.>

ZECA: <PORRA! TÁ DOS VERA.>


MÁRIO: <ando numa angústia filha da puta!>
ZECA: <E EU CHEIO DE NOVIDADES>

MÁRIO: <o legal é que tu sabes bem afinar o teu canivete
                  ele entra na carne do leitor que ele nem sente
                  enquanto daqui eu cuspo fogo pelos olhos
                  e urino ácido na cara dessa gente.>

12:09

ZECA: SOMOS DA RAÇA DO ETERNO, OS OUTROS, FANFARRÕES.
A GENTE É UNIDO.>

Fim da conversa no bate-papo